sábado, 8 de outubro de 2011

COBERTURA: TRANSBORDAMENTOS CÊNICOS por Nina Bamberg - Fotos: Stefani Santos



Os atores-bailarinos já estão em cena quando o público entra. Os espectadores se posicionam ao redor e a ação começa. Um jogo lento, tão lento, que se leva um tempo para perceber que há movimento. Em um segundo, tudo muda e o jogo torna-se vivaz e fluído pelo restante da apresentação.
Saudade é como liquido que transborda ou para Teresa nasceu de uma tristeza sem fim, da dor de uma perda que mexe com a pessoa de uma forma profunda e permanente. Não querendo que a dor virasse só dor, ela foi transformada em uma ideia e em um mote criador para um espetáculo.
Pensando no conceito de dobra, a dobra do corpo, a dobra do tempo que passa, a dobra da pele que envelhece, o diretor Anderson Luiz do Carmo se uniu a Oto Henrique e Junior Soares e, através de uma pesquisa juntos, criaram partituras corporais que trazem essa saudade que transborda. A pesquisa corporal começou com a busca pela dobra no próprio corpo, de como o corpo se dobra e se adapta ao chão e o que precisa fazer para conseguir aperfeiçoar esses movimentos.
Os corpos em cena se testam ao limite da flexibilidade, da mudança de velocidade dos movimentos, que se tornam até brutais em certos momentos. Um corpo dá apoio para o outro e, do mesmo jeito que o oferece, o tira, colocando os atores-bailarinos em um jogo corporal vivo e belo, aonde um depende do outro para manter-se.
O ambiente que permeia tudo é quase vazio, havendo apenas um móbile de tsurus e uma grande quantidade de folhas de papel. O papel, que também se dobra, traz a finalização do espetáculo, em um encerramento delicado e gentil, perfeito para falar de um tema tão difícil quanto a saudade que todos temos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário