sábado, 8 de outubro de 2011

COBERTURA: MONÓLOGO MUSICAL DE BEATRIZ por Nina Bamberg - Fotos: Rafael Vilela



Beatriz é um espetáculo baseado nas músicas de Chico Buarque, especialmente naquelas que ele escreve em primeira pessoa e como mulher. As músicas inspiraram o texto que traz a figura de uma atriz que se despede de sua carreira, em uma última noite no camarim. Rodeada de suas lembranças, ela pensa sobre tudo que se passou. Sua carreira e sua vida se tornaram uma só e agora, sozinha com suas lembranças, ela pensa em tudo o que a levou até aquele momento e como ela vai seguir dali pra frente.
Margarida Baird foi a atriz escolhida para viver esse papel tão intenso. No discurso de despedida de uma parte tão importante de sua vida, Beatriz fala sobre como se apaixonou pelos palcos e se entregou a eles. Fala com muita nostalgia sobre tempos passados de holofotes e homens e personagens, que rodearam sua vida.
Beatriz é um caldeirão de emoções diversas, ora aparentando força e decisão a respeito de sua ida, ora demonstrando um grande rancor a cerca do que acontece com ela, tudo culminando em uma simples e vívida tristeza da perda de algo. A dor que aparece na cena dialoga com a idade e a experiência que só a vida pode trazer, fala sobre a saudade de algo, saudade de ser outra pessoa, uma pessoa que já se foi e que hoje nem se sabe mais quem é. É a dor de cair no esquecimento, de ser substituído, de deixar de ser o que se está acostumado a ser e só.
O monólogo musical conta com a presença de três músicos em cena, que interagem com a atriz e fazem com que o desenvolvimento das cenas seja bastante suave e orgânico. A música é uma presença constante, caminhando lado a lado com o texto, mas nunca de uma forma aleatória ou distante. O repertório escolhido pela diretora Ana Paula Beling e pelo dramaturgo Mário César é de um primor que só se consegue através de muita pesquisa. A discografia de Chico Buarque é imensa e as músicas selecionadas mexem diretamente com os sentimentos da personagem e batem no público como fortes ondas de felicidade, tristeza e, acima de tudo, despedida.
O espaço cênico coloca o público muito próximo da atriz e dos músicos e ela se dirige diretamente ao público em muitos momentos. Quem assiste Beatriz, vive junto com a personagem a dor que se sente, sofre junto e quase sempre chora junto também. As lágrimas correram por todo o ambiente, criando um grande sentimento de despedida coletiva, aonde o público dividia meio a meio, a dor de ir embora e dizer adeus a tudo aquilo que se conhece.


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