sábado, 8 de outubro de 2011

CIRCUITO UNIVERSITÁRIO EM CENA no 18º Floripa Teatro Isnard Azevedo


É com orgulho e prazer que o Projeto de Extensão Circuito Universitário em Cena insere pela primeira vez, uma mostra universitária integrada ao Festival de Teatro FLORIPA TEATRO - Isnard Azevedo, que ocorre entre os dias 7 e 16 de outubro de 2011.

A mostra visa levar as peças feitas por alunos do Curso de Licenciatura em Teatro do Centro de Artes da UDESC ao grande público de forma democrática e gratuita e retomar as antigas Sessões Malditas do festival que acontecia como uma mostra alternativa sempre por volta das 23:00hs.

Com o apoio da Fundação Cultural de Florianópolis - Franklin Cascaes e do ponto de cultura - Instituto Arco-Irís, a mostra universitária será apresentada na semana das atividades do 18ª Floripa Teatro - Isnard Azevedo, de segunda a sexta-feira ( 10 a 14 de outubro) sempre as 22:30hs na Travessa Cultural Ratclif, no centro da cidade, com entrada gratuita e retirada das mesmas uma hora antes no mesmo local.

Lembramos que a Travessa Cultural conta com barzinhos parceiros que estarão a disposição da galera com muitos lanches, pizzas e cervejas geladas! Dá para curtir um som e fazer um esquenta com os amigos antes do teatro!!!

Para enriquecer o caldo, contamos também com a presença de duas peças resultantes da disciplina de Montagem Teatral do ano de 2011 : ODISSEIA E BADEN BADEN, que se apresentarão respectivamente nos dias 11 e 14 de outubro, nos espaços I e II do bloco de Artes Cênicas - CEART/UDESC no Itacorubi as 19:00hs.

CONVIDE SEUS AMIGOS, CURTA, CONFIRME E COMPARTILHE!
10/10/2011
Segunda-Feira

Travessa Cultural Ratclif

22:30h.

BEATRIZ
11/10/2011
Terça-Feira
Espaço II – CEART/UDESC

19:00h.
ODISSÉIA
11/10/2011
Terça-Feira

Travessa Cultural Ratclif
22:30h.
CHÁ PRETO
12/10/2011
Quarta-Feira

Travessa Cultural Ratclif
22:30h.
TAMIS
13/10/2011
Quinta-Feira

Travessa Cultural Ratclif
22:30h.
A Saudade é como um líquido que transborda, ou, para Teresa
14/10/2011
Sexta-Feira
Espaço II – CEART/UDESC

19:00h.

BADEN BADEN
14/10/2011
Sexta-Feira

Travessa Cultural Ratclif
22:30h.

POSEIDON BAR


Sobre as peças:
  • BEATRIZ: 


* Foto: Evandro Linhares 

SINOPSE:

Um camarim. Beatriz vivencia seus últimos momentos enquanto atriz. É chegada a hora de “praticar pela vez derradeira a arte de deixar algum lugar sem ter para onde ir”. O desespero de partir, a vontade de ficar, o prazer, a dor, amar. Cantando sua própria história, ela brinca com o tempo ao viajar entre o passado de glórias, o presente de ruptura e o futuro incerto. Personagem e atriz se entrelaçam, estabelecem uma fina fronteira entre a ficção e a realidade. A metateatralidade é evidenciada na relação com todos os elementos que compõem o espetáculo: dramaturgia, cenografia, músicos e espectadores. Em Beatriz, encerram-se outras tantas mulheres que compõem a vasta obra de Chico Buarque de Hollanda e que são o mote para a composição das cenas.

FICHA TÉCNICA:

Diretora: Ana Paula Beling
 Atriz: Margarida Baird
Músicos: Carol Miranda, Eduardo Stormowski e Larissa Galvão
Direção musical: Renata Swoboda
Apoio Coreográfico: Diego di Medeiros
Cenografia: Ana Clara Joly
Figurino: Juliana Paiva
Dramaturgia e iluminação: Mário César




  • ODISSÉIA:



SINOPSE:
“ODISSEIA” é um espetáculo teatral criado como parte da disciplina de Montagem Teatral do curso de Teatro do Centro de Artes da Universidade do Estado de Santa Catarina- CEART/ UDESC. É baseado na obra homônima de Homero, a qual se apresenta como um dos principais poemas épicos da Grécia Antiga, ao lado da Ilíada. No espetáculo, a narrativa é conduzida por um coro de mulheres, que relatam as aventuras vividas pelo herói da Guerra de Tróia, Odisseu, na longa viagem de retorno à sua terra natal, Ítaca. Como recurso dramatúrgico, utiliza-se o Teatro de Sombras.

FICHA TÉCNICA:
Direção, cenografia e desenho das silhuetas: PAULO BALARDIM
Elenco:
ELISÂNGELA POLETTO
FABIANA LAZZARI
IZABELA QUINT
KÁTIA DE ARRUDA
RAFAELA RIBEIRO
Produção Geral e Divulgação: FABIANA LAZZARI
Assessoria Cênica em Teatro de Sombras: ALEXANDRE FÁVERO
Assessoria em voz (estágio docência): BARBARA BISCARO
Pesquisa, texto, trilha sonora, iluminação e figurinos: CAIXA DE LUZ COMPANHIA TEATRAL
Confecção das Silhuetas:
ELISÂNGELA POLETTO
FABIANA LAZZARI
GABRIELA PAZ
JAQUELINE CISNE
KÁTIA DE ARRUDA
LUANA MARA
PAULO BALARDIM
RAFAELA RIBEIRO

  • CHÁ PRETO:
*Foto: Marcelo Vaz Cabral
SINOPSE:



Chá Preto narra a visita de uma prima às irmãs Verônica e Isadora sete dias após a morte de uma tia. A ação se passa na casa das irmãs, localizada em uma cidade de interior, onde oferecem um chá. A chegada da visita traz com ela antigos conflitos da convivência das três personagens. A peça é livremente inspirada nos Manuais de Civilidade e Etiqueta da década de 50 e em textos jornalísticos de Clarice Lispector.
FICHA TÉCNICA:
 
Direção: Juliana Riechel
Elenco: Carolina Janning, Gabriela Leite, Mirella Granucci.
Dramaturgia: Lisa Brito,Carolina Janning, Gabriela Leite, Mirella Granucci e Juliana Riechel
Maquiagem: Luanda Wilk
Sonoplastia: Júlio Miotto


  • TAMIS:
*Foto: LILIAN BURBON
SINOPSE:
Sinopse: Pt² Peneira de seda muito estreita.
Tamis é uma junção performática que mistura teatro, audiovisual, instalação, performance e música, buscando dialogar entre as diferentes áreas artísticas e seus espaços de acontecimento.
FICHA TÉCNICA:
Atriz: Thaís Carli;
Performer: Fernando Weber;
Vídeo instalação: Iam Campigotto;
Vídeo de animação: Yannet Briggiler;
Iluminação: Lilian Barbon;
Sonoplastia: Cristine Clasen;
Concepção e direção: Carolina Janning

  • A SAUDADE É COMO UM LÍQUIDO QUE TRANSBORDA, OU, PARA TERESA:

* Foto: Paulo Henrique Wolf
SINOPSE:
5. meu corpo saudoso chora. muito facilmente. não só em lágrimas, mas em vários formatos de soluço que reivindicam a presença de algo que não está mais ali. meu corpo saudoso busca nas entranhas os pedaços que, de alguma maneira, confortam. encolhendo, esticando, transpirando. dor intensa que em alguns dias é só um pequeno incômodo.
4. não sei o que fazer com as mãos e ficar em pé é difícil, os braços ficam muito vazios e  não consigo abrir a boca, os pés parecem frios como se os dedos fossem enrijecer;
3. como se pudesse acreditar que a não ação congelaria um último segundo antes da partida,  frustração de uma corrida sem linha de chegada, reanimar a partir do inaninmado, construir;
2. saudade: palavra latina intraduzível que se refere a recordação nostálgica relativa a falta de alguém ou algo;
1. corpo: porção de matéria por onde atravessam forças das mais variadas;
como o [meu] corpo sente saudades?

FICHA TÉCNICA:
Direção: Anderson Luiz do Carmo
Coreografia e elenco: Anderson Luiz do Carmo, Junior Soares e Oto Henrique
Direção de arte: Ana Clara Joly e Paulo Henrique Wolf
Sonoplastia e iluminação: Camila Mayer Petersen

  • BADEN BADEN:

* Foto: Evandro Linhares
SINOPSE:
Inspirado em texto de Bertolt Brecht, a peça estabelece um jogo vivo e um acordo sutil entre as atrizes e o espectador. A proposta é que a plateia seja constantemente convidada a se posicionar ante as cenas, questionando sua própria função diante delas. Através de um inquérito no qual se decide se quatro aviadores recém acidentados merecem ser ajudados, o espetáculo suscita a reflexão política sobre a morte, a renúncia, o acordo, a ajuda e a violência.

FICHA TÉCNICA:
Direção:Vicente ConciliO
Elenco: Emanuele Mattiello, Gabriela Drehmer, Isadora Peruch, Julia Oliveira, Luísa Bresolin, Marina Sell, Mirella Granucci, Nina-Carmo Bamberg, Priscila Marinho e Vanessa Civiero.


  • POSEIDON BAR:

SINOPSE:
Depois de ter perdido sua máscara, o famoso lutador mexicano Mono Santo, agora conhecido apenas por Alejandro, viaja para Costa Rica, fugindo daqueles que arruinaram sua carreira. Lá ele encontra um bar que faz reacender a esperança de voltar aos ringues, à fama e à glória.
FICHA TÉCNICA:

Direção: Andrés Tissier e Rangel Corrêa
Elenco: Marcos Laporta, Carlos Longo, Lucas Txai, Tatiani Borga, Yasmin Ahmad, Anderson Barbarotti, Alyssa Tessari.
Iluminação: Leandro Lunelli
Operador de som: Anderson Barbarotti
Operador de luz: Lucas Txai
Produção: Poseidon Produções

Lembramos que todos os espetáculos são gratuitos sendo necessário a retirada de senha meia hora antes no mesmo local da apresentação.


Que este seja o começo de uma parceria de sucesso entre a Fundação Cultural de Florianópolis, o Projeto de Extensão Circuito Universitário em Cena e os trabalhos produzidos no Centro de Artes; Levando arte e cultura a espectadores dos mais diversos tipos e locais, fortificando as relações e fomentando as Artes Cênicas dentro e fora do meio acadêmico. 

Projeto de Extensão
CIRCUITO UNIVERSITÁRIO EM CENA

Coordenação:
Prof.ª Dr. Maria Brigida de Miranda

Apoio:
Ivo Godois

Produção:
Luanda Wilk
 (48) 8428-8890

COBERTURA: BAIÃO DE 2 ENTRE RIMAS E DANÇAS por Nina Bamberg - Fotos: Stefani Santos


O sol estava rachando e as pessoas foram se reunindo pelo gramado em frente à Concha Acústica quando viram a movimentação e o plotter do UFSCTOCK. Duas figuras trajando macacões vermelho e branco se alongavam e faziam acrobacias para o aquecimento e o público viu que boa coisa estava vindo.
12:30 já é um horário consagrado na UFSC com uma programação musical, mas essa sexta foi diferente. O Grupo Teatral Panacéia se inscreveu no edital do UFSCTOCK e foi chamado para apresentar o espetáculo Baião de 2. Dirigido por Robson Rodrigues e com Rafael Padawan e Rafael Nagel no elenco.
Duas figuras se aproximam do público e se apresentam, são Cícero e Geraldinho, que estão fugindo da seca do sertão e viajam juntos. Eles usam elementos da cultura popular para apresentar ao público sua história e, com a ajuda do público, disputam para ver quem é melhor nas rimas, na música e na dança. Cordel, trava língua e a música como base, os dois ganham a simpatia do público, que os acompanha durante o tempo do espetáculo com olhar atento.
Cícero e Geraldinho trazem consigo uma homenagem bonita à cultura popular do país e é muito interessante pensar que esse espetáculo foi feito aqui em Santa Catarina, na cidade de São Bento do Sul. O grupo Panacéia, através de pesquisas e parcerias, compreendeu e selecionou quais seriam os elementos utilizados para o Baião de 2 e construíram um jogo de cena ágil e preciso, com um entrosamento gigante entre os atores e grande fluidez do texto, além do contato direto com o público, que torna a experiência toda ainda mais gostosa.
Definitivamente, foi um 12:30 diferente e delicioso, para quem resolveu se abrigar do calor de sexta, debaixo da sombra das árvores.


COBERTURA: MONÓLOGO MUSICAL DE BEATRIZ por Nina Bamberg - Fotos: Rafael Vilela



Beatriz é um espetáculo baseado nas músicas de Chico Buarque, especialmente naquelas que ele escreve em primeira pessoa e como mulher. As músicas inspiraram o texto que traz a figura de uma atriz que se despede de sua carreira, em uma última noite no camarim. Rodeada de suas lembranças, ela pensa sobre tudo que se passou. Sua carreira e sua vida se tornaram uma só e agora, sozinha com suas lembranças, ela pensa em tudo o que a levou até aquele momento e como ela vai seguir dali pra frente.
Margarida Baird foi a atriz escolhida para viver esse papel tão intenso. No discurso de despedida de uma parte tão importante de sua vida, Beatriz fala sobre como se apaixonou pelos palcos e se entregou a eles. Fala com muita nostalgia sobre tempos passados de holofotes e homens e personagens, que rodearam sua vida.
Beatriz é um caldeirão de emoções diversas, ora aparentando força e decisão a respeito de sua ida, ora demonstrando um grande rancor a cerca do que acontece com ela, tudo culminando em uma simples e vívida tristeza da perda de algo. A dor que aparece na cena dialoga com a idade e a experiência que só a vida pode trazer, fala sobre a saudade de algo, saudade de ser outra pessoa, uma pessoa que já se foi e que hoje nem se sabe mais quem é. É a dor de cair no esquecimento, de ser substituído, de deixar de ser o que se está acostumado a ser e só.
O monólogo musical conta com a presença de três músicos em cena, que interagem com a atriz e fazem com que o desenvolvimento das cenas seja bastante suave e orgânico. A música é uma presença constante, caminhando lado a lado com o texto, mas nunca de uma forma aleatória ou distante. O repertório escolhido pela diretora Ana Paula Beling e pelo dramaturgo Mário César é de um primor que só se consegue através de muita pesquisa. A discografia de Chico Buarque é imensa e as músicas selecionadas mexem diretamente com os sentimentos da personagem e batem no público como fortes ondas de felicidade, tristeza e, acima de tudo, despedida.
O espaço cênico coloca o público muito próximo da atriz e dos músicos e ela se dirige diretamente ao público em muitos momentos. Quem assiste Beatriz, vive junto com a personagem a dor que se sente, sofre junto e quase sempre chora junto também. As lágrimas correram por todo o ambiente, criando um grande sentimento de despedida coletiva, aonde o público dividia meio a meio, a dor de ir embora e dizer adeus a tudo aquilo que se conhece.


COBERTURA: A FELICIDADE NO JARDIM DE JOANA por Nina Bambgerg - Fotos: Pedro Caetano



O grupo (Em) Companhia de Mulheres iniciou sua pesquisa sobre teatro e gênero há mais ou menos um ano e meio. As pesquisas sempre foram teóricas e práticas, levando as atrizes a conhecer melhor as ligações entre teatro e gênero e aprofundar nas teorias feministas. Há cerca de um ano, atrizes começaram a focar em uma pesquisa prática e criar o que viria a ser o espetáculo O Jardim de Joana.
Cinco mulheres se encontram na casa de Joana, que falecera na noite anterior. Cada uma delas tem uma relação diferente com Joana, mas tudo gira em torno do impasse entre a irmã e a esposa de Joana. Dália, a irmã, não aceita Flor de Liz como cunhada, não acredita que ela seja herdeira da casa ou de qualquer outra posse. Flor de Liz, sem a herança, fica sem casa, sem ambiente de trabalho e sem base alguma para dar continuidade em sua vida.
A discussão a respeito da opção sexual de Joana e a plena discordância de sua irmã fazem parte do desconforto que se apresenta em cena. Dália não acredita no relacionamento de sua irmã com Flor de Liz e, por tanto, não acredita que ela mereça ficar com algo do testamento. Dália também tem um ponto de vista bastante particular sobre sua mãe, em quem coloca a culpa pelas inúmeras traições de seu pai, ao longo de quase todo o casamento dos dois. Ela quer levar a mãe embora, para um asilo e as amigas de Joana não concordam com isso.
Dália é a representação clara da falta de tolerância com tudo aquilo que é diferente e é uma figura bastante machista. Apesar de Flor de Liz ser a viúva e ser o centro das atenções dos cuidados das amigas, sem a figura de Dália, não haveria um conflito verdadeiro e, por conseqüência, a peça não existiria. O Jardim de Joana instala um clima de proximidade com o tema e traz para o público o questionamento a respeito dos problemas burocráticos pelos quais os casais homossexuais passam. Para a burocracia, trazida por Dália, não importa a história de vida de Joana com Flor de Liz, o que importa é que elas não têm um papel carimbado que formalize isso.
Com uma cenografia simples e clara, o espetáculo utiliza de iluminação e projeções para caminhar junto com a dramaturgia. As cenas do casamento de Joana com Flor de Liz, que foram gravadas pelo grupo no início desse ano, transportam outro ambiente para a cena, fazendo com que os espectadores compartilhem desse momento de tanta felicidade, mas já sabendo que a felicidade não permaneceu para sempre na vida do casal.


COBERTURA: TRANSBORDAMENTOS CÊNICOS por Nina Bamberg - Fotos: Stefani Santos



Os atores-bailarinos já estão em cena quando o público entra. Os espectadores se posicionam ao redor e a ação começa. Um jogo lento, tão lento, que se leva um tempo para perceber que há movimento. Em um segundo, tudo muda e o jogo torna-se vivaz e fluído pelo restante da apresentação.
Saudade é como liquido que transborda ou para Teresa nasceu de uma tristeza sem fim, da dor de uma perda que mexe com a pessoa de uma forma profunda e permanente. Não querendo que a dor virasse só dor, ela foi transformada em uma ideia e em um mote criador para um espetáculo.
Pensando no conceito de dobra, a dobra do corpo, a dobra do tempo que passa, a dobra da pele que envelhece, o diretor Anderson Luiz do Carmo se uniu a Oto Henrique e Junior Soares e, através de uma pesquisa juntos, criaram partituras corporais que trazem essa saudade que transborda. A pesquisa corporal começou com a busca pela dobra no próprio corpo, de como o corpo se dobra e se adapta ao chão e o que precisa fazer para conseguir aperfeiçoar esses movimentos.
Os corpos em cena se testam ao limite da flexibilidade, da mudança de velocidade dos movimentos, que se tornam até brutais em certos momentos. Um corpo dá apoio para o outro e, do mesmo jeito que o oferece, o tira, colocando os atores-bailarinos em um jogo corporal vivo e belo, aonde um depende do outro para manter-se.
O ambiente que permeia tudo é quase vazio, havendo apenas um móbile de tsurus e uma grande quantidade de folhas de papel. O papel, que também se dobra, traz a finalização do espetáculo, em um encerramento delicado e gentil, perfeito para falar de um tema tão difícil quanto a saudade que todos temos.

COBERTURA: CHÁ PRETO por Nina Bamberg - Fotos: Anninha Piccolo



Chá Preto se baseia em manuais de etiqueta da década de 1950 e textos de Clarice Lispector.
É um espetáculo simples e delicado, aonde a platéia divide um espaço intimista com as atrizes
e é convidado a compartilhar com elas o que se passa em cena.
As irmãs Verônica e Isadora vivem no interior e esperam pela visita de primas, em especial uma
que vem do Rio de Janeiro, Carmela. Elas devem se encontrar para um chá, após a morte de
sua tia. A presença de Carmela coloca em cheque o cotidiano criado pelas duas irmãs, que
entram em um confronto de costumes, status e querer diferentes.

O público acompanha de perto a sina de Isadora, que tenta convencer a todos que já está
madura o suficiente para viver em uma grande capital e partir em busca de seu sonho: viver em
meio às maravilhas da vida moderna e arranjar um bom casamento. Verônica, que não se
casou e por isso é considerada uma má influência sobre Isadora, não quer permitir que a irmã
se vá com Carmela. Verônica e Carmela se colocam como dois tipos explícitos de mulheres
diferentes, sendo uma casada e bem sucedida em uma vida que depende inteiramente de um
homem, e a outra permanecendo solteira e sozinha, para cuidar de sua família. Há um grande
duelo de costumes colocado entre as duas e Isadora se encontra perdida neste mar de conflito.
Costurando toda a trama, há um grande segredo, sobre o qual não deve falar, pois é falta de
educação espalhar segredos ou falar sobre certas coisas.

O público lotou o Laboratório 1 do CEART para acompanhar a crise que se instala na pequena
sala de estar das irmãs. Em um cenário bastante simples, aonde todos podem se sentir em
casa, a verdade e os manuais de etiqueta disputam espaço no comportamento de todas as
personagens. Afinal, há certas coisas que não se deve falar nem com a própria sombra.


Elenco: Carolina Janning, Gabriela Leite, Mirella Granucci. Direção: Juliana Riechel.




segunda-feira, 26 de setembro de 2011

ARTES DO CORPO NO UFSCTOCK 2011




O Projeto de Extensão Circuito Universitário em Cena une-se ao Cardume Cultural e DCE UFSC para promover a primeira mostra de teatro dentro do UFSCTOCK e realizar o que batizamos de Festival das Artes Misturadas, um espaço democrático que une música, artes visuais, mesas de debate e teatro (artes do corpo) em uma semana de intensa atividade cultural de vinte e seis de setembro a dois de outubro de 2011.
Além de levar a comunidade as mais diversas expressões artísticas, o Festival marca uma nova era de intercomunicação entre as artes de forma cada vez mais eloqüente para movimentar a cidade tomando posse de seus espaços e mostrando que sim! É possível levar arte e cultura com qualidade de forma democrática a todos!
Os espetáculos selecionados visam mostrar as mais diversas propostas cênicas ao publico; De caráter altamente social, o teatro une, agrega, valoriza as diferenças e desperta o espírito e a magia do encontro, pois, sem publico, não existe espetáculo e sem emoção não existe arte.
Luanda Wilk


Segunda-Feira 26/09/2011
Terça-Feira
27/09/2011
Quarta-Feira
28/09/2011
Quinta-Feira
29/09/2011
Sexta-Feira
Laboratório I
Espaço I
Espaço I
Espaço I
UFSC
CHÁ PRETO
20hs
A Saudade é como um líquido que transborda – ou Para Teresa
20hs
O JARDIM DE JOANA
20hs
BEATRIZ
20hs
BAIÃO DE DOIS
12:30 hs

  

  • CHÁ PRETO:

SINOPSE:
Chá Preto narra a visita de uma prima às irmãs Verônica e Isadora sete dias após a morte de uma tia. A ação se passa na casa das irmãs, localizada em uma cidade de interior, onde oferecem um chá. A chegada da visita traz com ela antigos conflitos da convivência das três personagens. A peça é livremente inspirada nos Manuais de Civilidade e Etiqueta da década de 50 e em textos jornalísticos de Clarice Lispector.

FICHA TÉCNICA:
 
Direção: Juliana Riechel
Elenco: Carolina Janning, Gabriela Leite, Mirella Granucci.
Dramaturgia: Lisa Brito,Carolina Janning, Gabriela Leite, Mirella Granucci e Juliana Riechel
Sonoplastia: Júlio Miotto

  • A SAUDADE É COMO UM LÍQUIDO QUE TRANSBORDA, OU, PARA TERESA:

SINOPSE:
5. meu corpo saudoso chora. muito facilmente. não só em lágrimas, mas em vários formatos de soluço que reivindicam a presença de algo que não está mais ali. meu corpo saudoso busca nas entranhas os pedaços que, de alguma maneira, confortam. encolhendo, esticando, transpirando. dor intensa que em alguns dias é só um pequeno incômodo.
4. não sei o que fazer com as mãos e ficar em pé é difícil, os braços ficam muito vazios e  não consigo abrir a boca, os pés parecem frios como se os dedos fossem enrijecer;
3. como se pudesse acreditar que a não ação congelaria um último segundo antes da partida,  frustração de uma corrida sem linha de chegada, reanimar a partir do inaninmado, construir;
2. saudade: palavra latina intraduzível que se refere a recordação nostálgica relativa a falta de alguém ou algo;
1. corpo: porção de matéria por onde atravessam forças das mais variadas;
como o [meu] corpo sente saudades?

FICHA TÉCNICA:
Direção: Anderson Luiz do Carmo
Coreografia e elenco: Anderson Luiz do Carmo, Junior Soares e Oto Henrique
Direção de arte: Ana Clara Joly e Paulo Henrique Wolf
Sonoplastia e iluminação: Camila Mayer Petersen


  • O JARDIM DE JOANA:

SINOPSE:
 
Após a morte de uma amiga, cinco mulheres se reencontram. Ao se depararem com os objetos herdados,
são reveladas memórias, sensações, histórias que entrelaçam as relações de amor, perda e família no universo feminino.
(Em) Companhia de Mulheres é um projeto de pesquisa prática que reune mestradas do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (Meire Silva; Lisa Brito; Priscila Mesquita) e graduandas do curso de Artes Cênicas da UDESC (Emanuelle Weber e Julia Oliveira), interessadas em investigar práticas de teatro feminista. A coordenação desse projeto é da professora Dra. Maria Brigida de Miranda (Departamento de Artes Cênicas e PPGT da UDESC), que também assina a direção do espetáculo Jardim de Joana.

  • BEATRIZ:
SINOPSE:

Um camarim. Beatriz vivencia seus últimos momentos enquanto atriz. É chegada a hora de “praticar pela vez derradeira a arte de deixar algum lugar sem ter para onde ir”. O desespero de partir, a vontade de ficar, o prazer, a dor, amar. Cantando sua própria história, ela brinca com o tempo ao viajar entre o passado de glórias, o presente de ruptura e o futuro incerto. Personagem e atriz se entrelaçam, estabelecem uma fina fronteira entre a ficção e a realidade. A metateatralidade é evidenciada na relação com todos os elementos que compõem o espetáculo: dramaturgia, cenografia, músicos e espectadores. Em Beatriz, encerram-se outras tantas mulheres que compõem a vasta obra de Chico Buarque de Hollanda e que são o mote para a composição das cenas.

FICHA TÉCNICA:

Diretora: Ana Paula Beling
 Atriz: Margarida Baird
Músicos: Carol Miranda, Eduardo Stormowski e Larissa Galvão
Direção musical: Renata Swoboda
Apoio Coreográfico: Diego di Medeiros
Cenografia: Ana Clara Joly
Figurino: Juliana Paiva
Dramaturgia e iluminação: Mário César


  • BAIÃO DE DOIS:

SINOPSE

O espetáculo “Baião de 2”, uma homenagem ao nordeste, propõe um passeio pela cultural popular de nosso país.Em cena os personagens Cícero e Geraldinho, dois cabras da peste que estão em peregrinação pelo Brasil, com o intuito de fugir da fome e da seca (que vira e mexe assola o sertão nordestino). Trazem na bagagem a única coisa que realmente possuem na vida, a sua cultura, e através dela ganham a vida e promovem a alegria fazendo uso do cordel, trava língua (literatura oral), poesia matuta (patativa do Assaré), música, danças populares, humor e todo tempero do sotaque nordestino.