ENGRAMA - 25/10/12 - UFSCTOCK 2012
Mais uma vez, emocionada por ver o espaço cheio, mais de 60 pessoas
reunidas em razão da arte, se é que cabe a arte alguma razão. Engrama – “traço
latente a memória” é um espetáculo que conquista porque toca fundo cada um dos ”eus”
presentes; É poesia pura, mistura de luz, confissões e sentimentos.
Em uma arena formada por dezoito praticáveis, estão dois atores dispostos
e completamente expostos, um exercício de entrega. O contato é direto, nos
invade sem pedir licença, suas lembranças a nos confundir e brincar com nossas
emoções. Engrama é a simplicidade em cena: vísceras, pulsos, corpos e lágrimas.
Pouco a pouco o som do choro toma a sala, os espectadores entram em cena e
revelam também suas angustias. Um parar do tempo, uma contemplação ao mais
humano do ser, um rito ao encontro.
Segundo as diretoras, Isadora Peruch e Mirela Granucci, “experiência é uma vivência de entrega, uma proposta biográfica cheia de
mentiras. Um jogo em que atuação e direção partem de onde se pode: de si mesmo.”.
O que revela a verdade em todos nós, o que é mentira e o que é verdade? De onde
partem nossas lembranças? Onde arquivamos nossos traumas e o que carregamos em
vão?
Composição de gente, fazendo-se ouvir, Engrama é tão lindo
como um corpo nú, pousado sob a face de nossas luas, cheias, minguantes,
crescentes... Quarenta minutos de espetaculo aos olhos e ao coração, abrindo
nossas dermes e nos tornando violentamente mais humanos. Chorei mais uma vez.
Luanda Wilk
25/10/12
