Chá Preto se baseia em manuais de etiqueta da década de 1950 e textos de Clarice Lispector.
É um espetáculo simples e delicado, aonde a platéia divide um espaço intimista com as atrizes
e é convidado a compartilhar com elas o que se passa em cena.
As irmãs Verônica e Isadora vivem no interior e esperam pela visita de primas, em especial uma
que vem do Rio de Janeiro, Carmela. Elas devem se encontrar para um chá, após a morte de
sua tia. A presença de Carmela coloca em cheque o cotidiano criado pelas duas irmãs, que
entram em um confronto de costumes, status e querer diferentes.
O público acompanha de perto a sina de Isadora, que tenta convencer a todos que já está
madura o suficiente para viver em uma grande capital e partir em busca de seu sonho: viver em
meio às maravilhas da vida moderna e arranjar um bom casamento. Verônica, que não se
casou e por isso é considerada uma má influência sobre Isadora, não quer permitir que a irmã
se vá com Carmela. Verônica e Carmela se colocam como dois tipos explícitos de mulheres
diferentes, sendo uma casada e bem sucedida em uma vida que depende inteiramente de um
homem, e a outra permanecendo solteira e sozinha, para cuidar de sua família. Há um grande
duelo de costumes colocado entre as duas e Isadora se encontra perdida neste mar de conflito.
Costurando toda a trama, há um grande segredo, sobre o qual não deve falar, pois é falta de
educação espalhar segredos ou falar sobre certas coisas.
O público lotou o Laboratório 1 do CEART para acompanhar a crise que se instala na pequena
sala de estar das irmãs. Em um cenário bastante simples, aonde todos podem se sentir em
casa, a verdade e os manuais de etiqueta disputam espaço no comportamento de todas as
personagens. Afinal, há certas coisas que não se deve falar nem com a própria sombra.
Elenco: Carolina Janning, Gabriela Leite, Mirella Granucci. Direção: Juliana Riechel.




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